
Tema: Cuidado com quem convém
Num rio, a correnteza levava dois potes: um de barro e outro de ferro. O pote de ferro, forte, disse ao de barro:
– Venha comigo, amigo. Vou protegê-lo. Se algo bater em você, eu o defendo.
O pote de barro agradeceu, mas respondeu com cuidado:
– Obrigado pela oferta. Mas prefiro seguir sozinho. Perto de você, qualquer sacudida da água é pior para mim.
O pote de ferro insistiu, e o de barro, por fim, se aproximou. Logo a água os empurrou um contra o outro. Com a primeira batida, o pote de barro rachou e, na segunda, se partiu em pedaços.
O ferro seguiu boiando, sem um arranhão.
A moral: nem toda proteção que um forte oferece é segura para o fraco, e é prudente escolher as companhias com cuidado.
“Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.” (1 Coríntios 15.33)
Fonte: La Fontaine, Fables, trad. Elizur Wright (Boston, 1841; ed. J. W. M. Gibbs, 1882), Projeto Gutenberg nº 7241, Livro V, fábula 2, “O pote de barro e o pote de ferro” (The Earthen Pot and the Iron Pot); versão de Esopo, “Os dois potes”, em Aesop’s Fables: a new translation, V. S. Vernon Jones (1912), Projeto Gutenberg nº 11339 (domínio público). Recontada com minhas palavras.




