A montanha que pariu um rato

Aquarela de uma multidão olhando uma montanha tremendo enquanto um ratinho sai de um buraco na base

Tema: Muito alarde, pouco resultado

Uma montanha começou a tremer. Ouviram-se gemidos profundos, estalos, trovões debaixo da terra. A notícia correu, e multidões vieram de todos os lados para ver o que ia nascer dali.

– Vai sair um gigante! – dizia um.

– Ou um vulcão! – dizia outro.

A multidão esperou em silêncio, o coração apertado, os olhos cravados na montanha. Os gemidos cresceram. A terra tremeu mais forte.

E então, de uma fenda pequenina na base da montanha, saiu… um rato.

Um rato comum, que espreguiçou, fungou o ar e saiu andando, sem dar atenção à plateia decepcionada.

Quanto barulho para tão pouco resultado.

A moral: nem todo estrondo anuncia algo grande; mede-se a obra pelo que nasce, não pelo barulho do parto.

“Como nuvens e ventos que não trazem chuva, assim é o homem que se gaba falsamente de dádivas.” (Provérbios 25.14)

Fonte: Esopo, “A montanha em trabalho de parto” (The Mountain in Labor) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.

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