
Tema: Quem finge o que não tem denuncia o que lhe falta
As toupeiras nascem cegas, e todos na toca sabem disso. Mas uma toupeira jovem resolveu declarar, um dia, para quem quisesse ouvir:
– Eu tenho certeza de que enxergo, mãe!
A mãe não discutiu. Apanhou alguns grãos de incenso, daqueles bem perfumados, colocou-os diante do filho e perguntou apenas:
– O que é isto?
A toupeira olhou, cheirou de longe, deu um palpite seguro:
– É uma pedrinha.
A mãe suspirou:
– Meu filho, receio que você não seja apenas cego. Perdeu também o olfato.
O grão cheiroso estava ali para quem tivesse nariz. A mentira sobre a vista acabou revelando a falta do faro.
A moral: quem se gaba do que não tem acaba expondo até o que lhe falta; é melhor confessar o limite do que encenar a capacidade.
“Louve-te o estranho, e não a tua boca, o estrangeiro, e não os teus lábios.” (Provérbios 27.2)
Fonte: Esopo, “A toupeira e a mãe” (The Mole and His Mother) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





