
Tema: A colheita chega no dia do sacrifício
No tempo da vindima, uma videira estava viçosa, coberta de folhas e cachos maduros. Passou um bode e, sem necessidade nenhuma, com capim tenro por toda parte, começou a mordiscar-lhe os brotos e as folhas.
A videira reclamou:
– Por que me feres assim, sem causa, e me cortas as folhas? Não há mais grama nova no mundo?
E continuou:
– Não terei de esperar muito pela justa resposta. Ainda que me podes até a raiz, eu fornecerei o vinho que há de ser derramado sobre ti, quando te levarem ao sacrifício.
O bode comeu as folhas. A videira guardou a safra.
A moral: o mal feito sem motivo não fica sem resposta; quem mastiga hoje o rebento da videira pode ser regado amanhã com o vinho dela.
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6.7)
Fonte: Esopo, “A videira e o bode” (The Vine and the Goat) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.




