
Tema: Não se colhe em tempo de guerra o que se negligenciou em paz
Um soldado de cavalaria tratava o seu cavalo com o maior esmero. Enquanto durou a guerra, via nele um companheiro para todas as emergências: feno bom, milho farto.
Acabada a guerra, o cavalo passou a comer palha seca e a carregar pesadas cargas de lenha, em trabalho duro e maltratado.
A guerra voltou. A trombeta tocou, o soldado pôs no cavalo os arreios militares e montou, armado dos pés à cabeça.
O cavalo caiu no chão na hora, sem forças para o peso, e disse ao dono:
– Agora terás que ir a pé para a guerra. Tu me transformaste de cavalo em asno; como queres que eu me torne de asno em cavalo num instante?
A moral: quem transforma cavalo em asno não pode esperar que ele volte a ser cavalo no dia da trombeta; o cuidado é investimento, e a colheita não perdoa a omissão.
“Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário.” (1 Timóteo 5.18)
Fonte: Esopo, “O cavalo e o cavaleiro” (The Horse and His Rider) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.




