
Tema: Há convivência que não fecha a conta
Um carvoeiro trabalhava na própria casa, entre sacos de carvão e a fuligem de sempre. Um dia encontrou um amigo, pisoeiro de ofício, que vivia de lavar e alvejar panos, e fez um convite generoso:
– Venha morar comigo! Seremos vizinhos melhores e ainda dividimos as despesas da casa.
O pisoeiro agradeceu, mas respondeu com franqueza:
– Para mim, o arranjo é impossível. Tudo o que eu alvejar, você tornará a enegrecer com o seu carvão.
Não houve ofensa, nem briga. Apenas a constatação: a economia da repartição sairia mais cara do que as duas casas separadas.
A moral: boa vontade não une o que a prática separa: quando o trabalho de um desfaz o do outro, a amizade precisa de outro endereço.
“Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3.3)
Fonte: Esopo, “O carvoeiro e o pisoeiro” (The Charcoal-Burner and the Fuller) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





