
Tema: Argumentos informam; não fabricam coragem
Um filhote de cerva, já crescido, fez à mãe a pergunta que lhe parecia óbvia:
– Você é maior do que um cão, corre mais do que qualquer cão e ainda tem chifres para se defender. Por que, então, foge apavorada dos cachorros?
A mãe sorriu e respondeu com toda a honestidade:
– Sei muito bem, meu filho, que tudo o que você diz é verdade. Tenho o tamanho, a velocidade e os chifres. Mas basta eu ouvir um único latido, e sinto as pernas fraquejarem. Saio correndo antes de poder pensar.
O filhote tinha os argumentos. A mãe tinha o medo. E os argumentos do filhote não transferiram coragem para as pernas da mãe.
A moral: a lógica pode provar que não há motivo para fugir, mas só um coração fortalecido fica de pé; coragem se recebe e se exercita, não se deduz.
“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.” (2 Timóteo 1.7)
Fonte: Esopo, “O filhote de cerva e a mãe” (The Fawn and His Mother) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





