
Tema: Quem vende o amigo não compra a própria pele
Um asno e uma raposa fizeram aliança: caçariam juntos e se protegeriam um ao outro. Era o combinado.
Não andaram muito quando deram de cara com um leão. A raposa avaliou o perigo num instante e foi até o leão com uma proposta:
– Poupe a mim, e eu entrego o asno nas suas patas.
Feito o acordo, ela voltou ao companheiro, fingiu segurança e o conduziu direto para uma cova funda, onde o asno caiu e ficou preso.
O leão olhou para a cova, viu que o asno não escaparia mesmo, e concluiu que não precisava mais de intermediário. Agarrou primeiro a raposa. O asno ficou para depois, devorado com calma.
A raposa calculou tudo certo, menos um detalhe: para o leão, ela também era carne.
A moral: a cova aberta para o amigo recebe primeiro o traidor; quem negocia com o devorador descobre que também é presa.
“O que faz uma cova nela cairá; e o que revolve a pedra, esta sobre ele rolará.” (Provérbios 26.27)
Fonte: Esopo, “O asno, a raposa e o leão” (The Ass, the Fox, and the Lion) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





