
Tema: Mudar de hábito não muda a natureza
Um corvo viu um cisne deslizando pelo lago e se apaixonou pelaquela brancura. Quis o mesmo para si.
Analisou a questão com cuidado e chegou a uma conclusão: a plumagem do cisne era branca por causa da água. Vive na água, lava-se na água; a água é que o deixa assim.
O corvo abandonou as vizinhanças dos altares, onde sempre encontrava comida farta, e foi morar nos lagos e lagoas. Passava os dias mergulhando, esfregando as penas, lavando-se sem descanso.
As penas continuaram pretas. E o corvo, longe da comida e escravizado ao banho, foi definhando até morrer de fome.
A água não fez o cisne branco. O cisne nasceu cisne.
A moral: contentamento não é resignação: é reconhecer a própria natureza e o próprio posto, em vez de morrer de fome perseguindo a beleza dos outros.
“Mas é grande ganho a piedade com contentamento.” (1 Timóteo 6.6)
Fonte: Esopo, “O corvo e o cisne” (The Raven and the Swan) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





