
Tema: Ternura declarada não absolve garra em atividade
Um urso vivia se gabando da própria filantropia. Entre todos os animais, dizia, nenhum tratava o homem com tanta consideração.
– Eu tenho tanto respeito pelo ser humano – declarava, com a pata no peito – que não toco nem no seu cadáver.
Os bichos ouviam em silêncio. Até que a raposa, que conhecia a reputação do orador melhor do que ninguém, sorriu e respondeu:
– Ah, como seria bom se você atacasse os mortos, e não os vivos.
A plateia entendeu na hora. O urso respeitava os mortos porque os mortos não correm, não gritam e não dão trabalho. Era com os vivos que ele jantava.
A moral: quem precisa anunciar a própria bondade geralmente está cobrindo com palavras o que as garras desmentem.
“Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.” (Mateus 7.5)
Fonte: Esopo, “O urso e a raposa” (The Bear and the Fox) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





