
Tema: Quem não tem parte na disputa quer púlpito nela
Uma romãzeira e uma macieira travaram uma disputa antiga: qual das duas era a mais bela? Uma exibia a coroa dos frutos, a outra as flores da primavera, e a contenda só crescia.
Quando a discussão chegou ao auge, um espinheiro da cerca vizinha ergueu a voz e declarou, em tom solene:
– Por favor, minhas queridas amigas: na minha presença, pelo menos, cessem essas disputas vãs.
As duas árvores não pediram a opinião dele. Ninguém tinha notado que ele existia até aquele momento.
O espinheiro, sem flor e sem fruto, apressou-se a ocupar o único lugar que a disputa oferecia: o de árbitro.
A moral: disputa de gente grande atrai palpite de gente pequena; o espinheiro não resolve contendas, apenas se espetando no meio delas.
“O que, passando, se mete em questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas.” (Provérbios 26.17)
Fonte: Esopo, “A romãzeira, a macieira e o espinheiro” (The Pomegranate, Apple-Tree, and Bramble) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





