
Tema: Proclamar a paz não amansa a natureza
Houve um leão que reinava sobre os animais sem ira, sem crueldade e sem tirania. Era justo e manso como um rei pode ser.
Um dia, proclamou uma assembléia geral e apresentou os termos de uma aliança universal: o lobo conviveria com o cordeiro, o leopardo com o cabrito, o tigre com o cervo, o cão com a lebre, todos em perfeita paz e amizade.
A lebre ouviu e não se conteve de alegria:
– Ah, quanto eu esperei por este dia, em que os fracos poderão ficar ao lado dos fortes sem medo!
Dito isso, ela saiu correndo o mais rápido que pôde.
Acreditou na proclamação o suficiente para comemorar. Não o suficiente para ficar.
A moral: decreto nenhum suspende a natureza das coisas; a paz que só existe na proclamação deixa os fracos correndo como sempre.
“E curam a ferida da filha do meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.” (Jeremias 6.14)
Fonte: Esopo, “O reino de paz do leão” (The Kingdom of the Lion) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





