
Tema: Ver os defeitos dos outros
Conta uma lenda antiga que todo homem nasce com duas trouxas penduradas no pescoço: uma pequena, na frente, cheia dos defeitos do próximo; e uma grande, nas costas, cheia dos seus próprios defeitos.
Por isso andamos todos tão bem informados. Vemos, com clareza de águia, a mentira do vizinho, a soberba do colega, o descuido do irmão. A trouxa da frente está sempre diante dos nossos olhos.
A da frente, sim. Porque a outra, a que carrega os nossos próprios erros, fica atrás, onde ninguém vê. Nem mesmo o dono.
E assim seguimos: fiscalizando a trouxa alheia e ignorando o peso da nossa, que arrasta conosco por onde quer que a gente vá.
A moral: enxergar o erro dos outros é fácil; difícil é virar o pescoço e olhar a própria trouxa.
“E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7.3)
Fonte: Esopo, “As duas trouxas” (The Two Bags) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





