O viajante fanfarrão

Aquarela de um viajante grego gesticulando com orgulho diante de ouvintes desconfiados no porto de Rodes

Tema: Gabolice

Um homem voltou de viagem por terras estrangeiras e não parava de contar as proezas que teria feito por lá. Em cada roda de conversa, uma façanha nova.

A maior de todas era o salto de Rodes:

– Quando estive na ilha de Rodes, dei um salto tão longo que nenhum homem chegou perto. Se quiserem provas, há muita gente em Rodes que viu e pode confirmar.

Um dos ouvintes não aguentou e interrompeu:

– Meu amigo, se é verdade, não precisamos de testemunhas. Imagine que aqui é Rodes. Pode saltar.

O viajante ficou sem palavras. As testemunhas, todas a muitas milhas de distância, não puderam ajudá-lo.

A moral: quem fala grande precisa agir grande; onde não há plateia para enganar, a conversa acaba.

“Louve-te o estranho, e não a tua boca, o estrangeiro, e não os teus lábios.” (Provérbios 27.2)

Fonte: Esopo, “O viajante fanfarrão” (The Boasting Traveler) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.

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