
Tema: Há visita que desfalca mais do que a doença
Um cervo adoeceu e se recolheu num canto sossegado do pasto, onde guardava o melhor capim para os dias de recuperação.
A notícia se espalhou, e os companheiros começaram a chegar. Vinham em romaria, um atrás do outro, perguntar como ele estava, dar palpite, contar história. E cada um, de passagem, ia beliscando o capim reservado ao doente.
O cervo recebeu muitas visitas e nenhum socorro. O capim foi acabando na mesma proporção em que a solidariedade aumentava.
No fim, ele sarou da doença. Mas morreu de fome, porque a comida tinha acabado na boca dos visitantes.
A moral: multidão em volta da cama não é prova de amor; o amigo verdadeiro chega para dar, não para beliscar.
“O homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do que um irmão.” (Provérbios 18.24)
Fonte: Esopo, “O cervo doente” (The Sick Stag) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





