As moscas e o pote de mel

Aquarela de moscas atoladas num pote de mel derramado, asas grudadas

Tema: O prazer que prende

Um pote de mel virou na despensa de uma casa, e o cheiro doce logo atraiu as moscas da redondeza.

Elas pousaram no mel derramado e comeram com avidez. Que banquete! Comeram, comeram, comeram.

Quando finalmente quiseram ir embora, era tarde: as patas estavam grudadas, as asas, pesadas de mel, não levantavam voo. Uma a uma, foram sufocando na doçura.

Já sem forças, lamentaram:

– Infelizes de nós! Por um instante de prazer, destruímos a nós mesmas.

O mel não prendeu ninguém à força. Cada uma pousou porque quis, e ficou porque não quis parar.

A moral: o prazer que não deixa a gente sair custa mais caro do que parece; nem tudo que é doce sustenta.

“Achaste mel? Come o que te basta; para que, porventura, não te fartes dele e o venhas a vomitar.” (Provérbios 25.16)

Fonte: Esopo, “As moscas e o pote de mel” (The Flies and the Honey-Pot) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.

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