
Tema: Honra emprestada
Um asno foi escolhido para levar pelas ruas da cidade uma imagem de madeira, muito estimada, até o templo onde ela ficaria.
No caminho, a multidão se enchia de reverência: todos se curvavam e se prostravam quando a imagem passava.
O asno reparou nas reverências e concluiu que eram para ele. Empenachou-se, enrijeceu o pescoço, cheio de orgulho, e parou no meio da rua, recusando-se a dar mais um passo.
O condutor, vendo aquilo, desabafou:
– Anda, cabeça-dura! Ainda não chegamos ao ponto de os homens adorarem um asno.
E tocou o animal para a frente. As honras eram da imagem; ele era só o transporte.
A moral: não é sábio tomar para si o crédito que é devido a outro; quem carrega a glória de Deus é conduzido por ela, não dono dela.
“Porque quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias como se não o houveras recebido?” (1 Coríntios 4.7)
Fonte: Esopo, “O asno que carregava a imagem” (The Ass Carrying the Image) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.




