
Tema: O perigo vem de onde não olhamos
Uma corça, cega de um olho, pastava sempre o mais perto possível da beira do penhasco. Era a sua estratégia de segurança: virava o olho bom para a terra firme, de onde viriam os caçadores e os cães, e deixava o olho cego para o mar, de onde, pensava, nenhum mal poderia vir.
Assim ela vigiava, dia após dia, atenta a cada movimento em terra.
Um dia, passaram marinheiros num barco. Viram a corça de perfil contra o penhasco, o olho cego voltado para eles. Esticaram o arco e a feriram mortalmente.
Nos últimos suspiros, ela lamentou:
– Desgraçada de mim! Tomei tanto cuidado com a terra, e fui buscar segurança justamente no lugar que se mostrou mais perigoso.
Ela vigiava metade do horizonte. Era exatamente a metade errada.
A moral: vigiamos o lado de onde sempre veio o perigo e esquecemos o outro; o avisado considera também o que nunca aconteceu.
“O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena.” (Provérbios 22.3)
Fonte: Esopo, “A corça de um olho só” (The One-Eyed Doe) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.




