O astrônomo no poço

Aquarela de um astrônomo caído dentro de um poço à noite, olhando para as estrelas lá no alto

Tema: Olhar longe e tropeçar perto

Um astrônomo tinha o hábito de sair à noite para observar as estrelas. Conhecia constelações, conjunções, os caminhos dos planetas.

Certa noite, caminhando pelo campo com os olhos fixos no céu, não viu o chão diante de si: caiu num poço fundo.

Machucado e sem conseguir sair, começou a gritar por socorro. Um vizinho correu até a borda do poço, ouviu o que tinha acontecido e não resistiu:

– Meu amigo, como é que você, tão ocupado em espiar o que há no céu, não consegue ver o que está na terra?

Não faltava conhecimento ao astrônomo. Faltava atenção ao chão onde pisava.

A moral: há quem saiba tudo do alto e nada do próprio caminho; quem não pondera a vereda dos pés tropeça no que está bem diante de si.

“Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem-ordenados!” (Provérbios 4.26)

Fonte: Esopo, “O astrônomo” (The Astronomer) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.

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