
Tema: A avidez que só mede a entrada
Uma raposa faminta achou, dentro de uma árvore oca, pão e carne que uns pastores tinham guardado ali para a volta. Entrou pelo buraco estreito e devorou tudo com avidez.
Quando quis sair, estava tão inchada que não passava mais. Pôs-se a gemer e chorar a própria desgraça.
Outra raposa passou, ouviu o choro e perguntou o que houve. Sabendo do caso, respondeu: — Amiga, não vejo outro remédio: fique aí até voltar ao tamanho de antes. Aí sairá com a mesma facilidade com que entrou.
A gula entra fácil; o difícil é o depois.
A moral: a avidez só mede a entrada; quem se empanturra hoje paga o jejum de amanhã.
“Achaste mel? Come o que te basta; para que, porventura, não te fartes dele e o venhas a vomitar.” (Provérbios 25.16)
Fonte: Esopo, “A raposa empanturrada” (The Swollen Fox) in Aesop’s Fables — A New Translation, trad. V. S. Vernon Jones (1912), Projeto Gutenberg nº 11339 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





