
Tema: Amigo que morde não é amigo
Um cão jovem levantou uma lebre e, quando a alcançou, ora a mordia como se fosse matá-la, ora soltava a presa e brincava em volta dela, como se fosse um companheiro de brincadeiras.
A lebre, tonta de tanto sobe e desce, disse por fim: — Mostre-se como você é de verdade! Se é meu amigo, por que me morde? Se é meu inimigo, por que brinca comigo?
Quem morde e afaga ao mesmo tempo não é nem amigo nem inimigo: é imprevisível, e imprevisível machuca mais.
A lebre preferia um inimigo declarado. Pelo menos um inimigo a gente sabe de onde vem.
A moral: quem é amigo na brincadeira e inimigo na mordida não é amigo coisa nenhuma; a inconstância é a pior das duas caras.
“Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3.15-16)
Fonte: Esopo, “O cão e a lebre” (The Hound and the Hare) in Aesop’s Fables — A New Translation, trad. V. S. Vernon Jones (1912), Projeto Gutenberg nº 11339 (domínio público). Recontada com minhas palavras.




