
Tema: Quem troca os velhos pelos novos troca todo mundo
Um cabreiro, recolhendo o rebanho ao entardecer, encontrou cabras selvagens misturadas às suas e as trancou junto com as demais para passar a noite.
No dia seguinte nevou tanto que não pôde sair para o pasto. Às suas próprias cabras deu só o suficiente para viver; às estranhas, fartura, na esperança de atraí-las e ficar com elas.
Quando o degelo chegou, levou todos para fora — e as cabras selvagens dispararam para as montanhas.
Ele as repreendeu pela ingratidão, depois de tê-las tratado melhor do que ao próprio rebanho. Uma delas respondeu, olhando para trás:
– É exatamente por isso que somos cautelosas. Se ontem você nos preferiu às cabras que tem há tanto tempo, é claro que, vindo outras depois de nós, você as preferiria a nós.
A moral: o tratamento dado aos antigos na presença dos novos é o termômetro da fidelidade; quem despreza os de casa para conquistar os de fora ensina os de fora a não confiar.
“Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão.” (Provérbios 17.17)
Fonte: Esopo, “O cabreiro e as cabras selvagens” (The Goatherd and the Wild Goats) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





