
Tema: A voz que incomoda quem vive do escuro
Uns ladrões arrombaram uma casa e não acharam nada que valesse levar, a não ser um galo, que agarraram e levaram. Na hora de preparar a ceia, um deles apanhou o galo e já ia torcer-lhe o pescoço, quando a ave gritou por misericórdia: — Não me matem! Sou uma ave muito útil: acordo os homens honestos para o trabalho todas as manhãs com o meu canto.
O ladrão respondeu, irritado: — Pois é exatamente por isso. Você só atrapalha o nosso ganha-pão. Para a panela!
Quem vive do escuro não suporta nem a voz que anuncia o dia.
A moral: a luz incomoda quem trabalha nas trevas; o mundo tenta silenciar justamente a voz que o acorda.
“Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.” (João 3.20)
Fonte: Esopo, “Os ladrões e o galo” (The Thieves and the Cock) in Aesop’s Fables — A New Translation, trad. V. S. Vernon Jones (1912), Projeto Gutenberg nº 11339 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





