
Tema: Emprestada, a pena volta ao dono
Conta a fábula que Júpiter ia escolher o rei das aves: compareceriam todas, e a mais bela seria coroada.
A gralha, ciente da própria feiura, percorreu bosques e campos recolhendo as penas que caíam das asas das outras aves e as espetou pelo corpo inteiro, esperando ser a mais bela de todas.
No dia marcado, apresentou-se naquele luxo multicolorido. Júpiter, impressionado com a plumagem, ia coroá-la rei.
As aves protestaram indignadas — e cada uma arrancou de volta a sua própria pena.
No fim, não sobrou à gralha nada além de gralha.
A moral: quem se enfeita com o que não é seu fica nu na primeira reclamação; melhor ser gralha de verdade do que rei de mentira.
“Qual ave que vagueia longe do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando longe do seu lugar.” (Provérbios 27.8)
Fonte: Esopo, “A gralha vaidosa” (The Vain Jackdaw) in Three Hundred Aesop’s Fables, trad. George Fyler Townsend, Projeto Gutenberg nº 21 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





