
Tema: A importância que só existe aos nossos olhos
Um mosquito pousou no chifre de um touro e ali ficou um bom tempo, descansando. Quando enfim se preparou para voar, fez questão de se despedir: — O senhor se importa que eu vá embora?
O touro apenas ergueu os olhos e respondeu, sem interesse: — Para mim, tanto faz. Nem notei quando você chegou, e não vou saber quando for embora.
O mosquito saiu zumbindo, convencido de que deixava saudade.
Ele tinha passado ali uma tarde inteira. Para o touro, não tinha passado de um instante qualquer, igual a todos os outros. É assim com quase todas as nossas grandes aparições.
A moral: somos sempre mais importantes aos nossos próprios olhos do que aos dos outros; a vaidade mede o mundo pelo próprio zumbido.
“Louve-te o estranho, e não a tua boca, o estrangeiro, e não os teus lábios.” (Provérbios 27.2)
Fonte: Esopo, “O mosquito e o touro” (The Gnat and the Bull) in Aesop’s Fables — A New Translation, trad. V. S. Vernon Jones (1912), Projeto Gutenberg nº 11339 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





