
Tema: Aparência e substância
O pavão zombava das penas sem graça do grou. — Veja as minhas cores. Compare com essas suas plumas pobres.
O grou não negou: — É verdade, as suas são muito mais bonitas. Mas, na hora de voar, eu subo até as nuvens, enquanto você fica preso ao chão como qualquer galo de quintal.
O pavão calou. De que adianta um arco-íris inteiro nas costas, se ele nunca deixa o quintal?
A beleza que só se exibe no chão não levanta ninguém. O que brilha aos olhos nem sempre carrega longe.
A moral: formosura sem substância impressiona de perto e decepciona de longe; o que vale é o que sustenta o voo.
“porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” (1 Samuel 16.7)
Fonte: Esopo, “O pavão e o grou” (The Peacock and the Crane) in Aesop’s Fables — A New Translation, trad. V. S. Vernon Jones (1912), Projeto Gutenberg nº 11339 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





