
Tema: A soberba que acena para o machado
Um pinheiro gabava-se diante de um espinheiro: — Coitado de você, não serve para nada. Olhe para mim: sirvo para tudo, principalmente quando os homens constroem casas. Não podem passar sem mim.
O espinheiro respondeu: — Muito bonito. Mas espere até virem com machados e serras para derrubá-lo. Aí você vai querer ser espinheiro, e não pinheiro.
O pinheiro não respondeu. Lá do alto, era fácil não ouvir.
Anos depois, os lenhadores chegaram. Derrubaram o pinheiro para fazer vigas, e o espinheiro continuou lá, quieto na cerca, vendo as estações passarem.
A altura que impressiona é a mesma que atrai o machado.
A moral: a soberba sobe alto e acena para o machado; a humildade, esquecida no canto, passa a vida inteira em paz.
“Vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria.” (Provérbios 11.2)
Fonte: Esopo, “O pinheiro e o espinheiro” (The Fir-Tree and the Bramble) in Aesop’s Fables — A New Translation, trad. V. S. Vernon Jones (1912), Projeto Gutenberg nº 11339 (domínio público). Recontada com minhas palavras.





